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27/09/2013 - Após dois anos do incêndio, brasileiros retomam pesquisas na Antártica

A Marinha trabalha para levar cerca de 200 pesquisadores ao continente gelado até março de 2014


Quase dois anos após o incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, em fevereiro de 2012, os pesquisadores brasileiros voltarão a trabalhar na região da base brasileira a partir de novembro. 

Até março, na 32ª edição da Operação Antártica (Operantar), estudiosos da biologia marinha e da meteorologia retomarão as pesquisas de campo acomodados nos módulos emergenciais, usados como estação provisória durante a reconstrução de Ferraz, localizada na Ilha Rei George, região da península antártica. 

— Para limpar a área da estação queimada e montar os módulos, tivemos de deixar os pesquisadores afastados de Ferraz por um verão. Agora, as atividades voltam ao normal — explica o capitão-de-mar-e-guerra Marcello Melo da Gama. 

Secretário-adjunto da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), responsável pelo Programa Antártico Brasileiro (Proantar), Gama e seus colegas finalizam a logística da Operantar, que começa em 6 de outubro e será menor em comparação à edição anterior. 

Para devolver a normalidade à pesquisa, a Marinha mobilizou cinco navios no verão passado, três a mais do que o país costuma utilizar. Na oportunidade, os cientistas ficaram em embarcações, bases de outros países e acampamentos em diferentes regiões da Antártica. Já a nova Operantar voltará a usar os dois navios do programa, Ary Rongel e Almirante Maximiano, mais os refúgios e os módulos de Ferraz, que concentra cerca de um terço dos projetos científicos do Brasil no continente austral. Ao todo, a Marinha trabalha para levar cerca de 200 pesquisadores ao continente gelado até março de 2014. Do grupo, pelo menos 80 poderão usar os módulos emergenciais, divididos com militares e trabalhadores da reconstrução da estação. 

Os módulos são dotados de laboratórios, como química e meteorologia, e aquários. O transporte dos pesquisadores até a Ilha Rei George será feito pelo navio Ary Rongel, também usado para lançar acampamentos. Já o Maximiano terá foco em pesquisas oceanográficas. 

— Quem ficava em Ferraz passou o último ano em cima de dados já coletados. O uso dos módulos ajuda a recuperar o tempo perdido — prevê Jefferson Simões, Diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS e delegado brasileiro no comitê internacional de pesquisa antártica. 

A Marinha espera lançar no primeiro trimestre de 2014 o "gelo fundamental", marco do começo físico da reconstrução da Estação Comandante Ferraz. Pelas previsões, a nova casa brasileira no continente austral, estimada em até R$ 120 milhões, pode ser inaugurada no verão de 2015. 

Para cumprir os prazos, a Marinha quer lançar em outubro a licitação da obra, aberta a estrangeiros, desde que associados a empresas brasileiras. Antes, aguarda para terça-feira a entrega do projeto-executivo da base, assinado pelo escritório Estúdio 41, vencedor de um concurso público, em parceria com a empresa portuguesa Afaconsult. 

O projeto detalha o prédio de 4,5 mil m², apto a acomodar 64 pessoas, dotado de espaços como laboratórios, biblioteca e centro cirúrgico. A estrutura usará fontes alternativas de energia e terá sistema inteligente de combate a incêndio. 

— A estação será moderna e eficiente, concebida em módulos, facilitando a construção em um ambiente com temperatura negativa e ventos acima dos 150 kmh/h — diz o capitão-de-mar-e-guerra Geraldo Juaçaba, coordenador da assessoria da Marinha que atua na reconstrução. 

Entregue, o projeto-executivo será avaliado pela Marinha, cientistas e técnicos de outras áreas do governo federal, como ministérios da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente. Caso não haja disputas judiciais na licitação, o resultado sairá em dezembro, com o início da obra em fevereiro ou março. 

Os primeiro passos serão o estudo geotécnico e as fundações, de até 15 metros de profundidade. Ao longo de 2014, os módulos da estação serão montados e testados antes da viagem até a Antártica.

— Passado o incêndio e a reconstrução, a ciência brasileira terá uma estrutura melhor do que a anterior — avalia Jefferson Simões, delegado do comitê internacional de pesquisa antártica.
FONTE: ZERO HORA
Postado Por: Éder Pr- http://militaresbrasil.blogspot.com
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